terça-feira, 14 de setembro de 2010

E agora, José ou Jesus?

A vida é toda cheia de escolhas. Escolhemos a esquerda, a direita, a vanguarda ou a retaguarda. E, se ainda não nos bastasse, permanecemo-nos parados. Escolher é comprometer-se com o caminho sobre o qual trilhar. Escolher é medir certezas e incertezas. Escolher é utilizar-se de balança. Com ela, emitimos um parecer acerca do risco envolvido. Escolher é assinalar um X tal qual treliça...

O processo de decisão envolve muitas variáveis. O medo é uma delas. Entretanto, não me refiro àquele sentimento que nos alerta do perigo. Este, eu costumo chamá-lo prudência. Escolher não é algo fácil... “E se eu escolher a direita ao invés da esquerda, o que haverá no final deste caminho? Qual será o resultado desta decisão? Qual será a melhor opção? Esta é a melhor escolha?”

Dúvidas, dúvidas e dúvidas. A dúvida opõe-se à fé. A fé é certeza, a certeza das coisas não vistas. Onde se encontra o medo, encontra-se a dúvida. O medo não permite que se deem passos. Que é o medo? É poliomielite na alma... É uma pena que vacinemos somente corpos.

O progresso e os sonhos são incitados pela fé. O medo paralisa, esconde e não permite avanço. Ambos, fé e medo, trabalham de maneiras opostas. Quanto às escolhas? Eis que continuam na fila de espera. Aguardam um parecer, uma decisão. E o tempo corre. Ao levantar-me pela manhã, o mundo diz: “Bem-vindo ao jogo das escolhas! Esta é sua primeira: levantar-se ou dormir mais um pouco? E então? Ainda aguardo! TIC-TAC-TIC-TAC... O tempo passa!”.

Tão difícil não pareceu. Mas, e as outras durante a vida: abortar ou deixar viver, este poetinha, que ainda não escreveu nenhuma linha... A vida é um jogo de escolhas, e cujas escolhas exercerão influências sobre os que vivem e os que ainda hão de nascer.

Uma decisão é como uma bomba detonada no centro de uma rede social. Para mim, as melhores escolhas são aquelas que, representarão ao mesmo tempo, como resultado, o mínimo impossível e inimaginável de prejuízos e o máximo impossível e inimaginável de benefícios. Se eu pudesse nomeá-la, diria que se trata de uma decisão “perfeita”.

Em se tratando de coisas perfeitas, os pensamentos de Deus são perfeitos. Ele conhece o final de todos os caminhos. Ele conhece o resultado de todas as escolhas. Ele sabe tudo! Optando pelo conselho de Deus, não corro risco de me confundir, já que, erros resultam de escolhas mal feitas. Um erro foi uma aposta mal sucedida. Não erramos porque gostamos de errar.

Na vida, dentre tantas possibilidades, deveríamos atentar para os pensamentos de Deus, sinônimo do perfeito. Os conselhos de Deus são caminhos abençoados e já aprovados. Trilhá-los, levará o homem ao encontro do mínimo impossível e inimaginável de prejuízos e o máximo impossível e inimaginável de benefícios. E não nos enganemos: aquele que segue o conselho de Deus não é a marionete tolhida de sua própria vontade. Contudo, é aquele que trilha o caminho que escolheria se soubesse seu fim. E o propósito de nossas vidas? Viveremos, se tão somente o escolhermos.

Quanto aos que se bastam, não experimentarão daquilo que há de mais sublime. São como aqueles a quem se lhes preparou o mundo, porém, passarão sua existência a vagar... Vagar pelo quintal da vida. Tudo porque, não conhecem os pensamentos do Pai. Escrito por Cléber C FERNANDES.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A lição bovina do coração

Final de tarde, sol se pondo. E lá estava ele, sentado sobre a cerca de madeira, tomando o tempo da vaca...

[...] Tu és tão sábia... Eu gosto tanto de conversar contigo...

- Falando deste jeito até me fazes sentir importante!

- Eu também queria ser sábio...

- Esta é uma das maiores demonstrações de apreço que se pode oferecer. É quando queremos nos parecer com alguém.

- Então tu achas que quando eu for grande serei sábio como tu?

- Bem, isto depende de uma coisa fundamental.

- Que coisa?

- Olha, não sei se posso te ensinar isto.

- Que é? Por favor, ensina-me!

- Está bem, está bem... Afinal, se tu não puderes aprender isto, então, não sei mais quem poderia.

E o menino inclinou-se em direção à vaca para ouvi-la.

- Ouça bem... O que te fará sábio ou não, dependerá do lado em que estará teu coração.

- Como assim? Só existe um lado do coração. Eu aprendi na escola que o coração fica do lado esquerdo!

- Sei, a escola...

- Que cara é esta? Não me diga que eles me ensinaram errado...

- Não, não, eles te ensinaram certo. Só não te ensinaram tudo que tu precisas para ser sábio de verdade... e nem poderiam mesmo.

- Tu és mesmo muito misteriosa...

- Mas sabedoria que tu desejas, te tornará apto para entenderes os provérbios e parábolas, as palavras e enigmas dos sábios!

- Que quer dizer com o lado em que está meu coração?

- Bem, anatomicamente, o teu coração situa-se no lado esquerdo do peito. Logo, um coração que tende ao lado esquerdo, não faz nada mais além do que exercer um movimento natural, um comportamento cômodo. Pouco natural é um coração inclinar-se para o lado direito, contudo, este é o sinal daquele que alcançou a sabedoria.

- Este é um sinal de quem alcançou a sabedoria..., repetiu o menino. Uau! Eu nunca tinha pensado nisto antes! Onde foi que aprendeste isto?

- Eu também tenho meus mestres meu caro!

- Conta-me mais!

- Imagine: um coração que tende à direita, é um coração que busca avançar em algo que lhe parece novo, e até certo ponto, desconfortável. Um coração que tende à direita, busca conhecer algo que ainda não conhece ou conquistar algo que ainda não conquistou.

- Ai, ai, ai... Esta parte me entristeceu!

- Ora, por quê?

- Porque ainda não conheço muitas coisas e ainda não consegui nada na pouca vida que já vivi.

- Se eu posso te consolar, não importa nada disto, pois há tempo para todas as coisas. E seu tempo ainda não chegou.

- Então não estou atrasado?

- De maneira nenhuma!

- E como posso saber que cheguei ao tempo certo?

- O tempo certo, é aquele no qual o coração alcançou o entendimento de que precisas para agir.

- E como é este tal entendimento?

- Ele é um raio de sol que aparece quentinho, mesmo que seja noite. Quando isto acontece, tu sentes que tua cabeça relaxa, aquece-te o peito, tuas sobrancelhas se levantam e teus lábios esboçam um sorriso. Depois, isto te faz feliz por encontrar um tesouro escondido.

- Tu falas coisas bem estranhas... mas é gostoso te ouvir. Conta-me mais!

- Está bem... voltemos ao assunto: Tu, em tua natureza, tens teu coração à esquerda. Ele tem dificuldades com coisas novas, por isto, a Sabedoria afirma: “E ninguém tendo bebido o vinho velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho”. Assim, a Sabedoria expõe a tendência do seu coraçãozinho.

- Eu estou impressionado... Eu acho que é por isto que eu destesto ir à cidade calçando sapatos novos. Eles apertam meus dedos e machucam meus pés! Mas, tu não me entenderias... Tu tens cascos.

A vaca, de olhos cerrados, emudeceu. No entanto, ela também sabia onde é que seu calo apertava.

- Ei! Ainda não entendo como isto pode me ajudar, disse o menino.

- Eu sei, eu sei meu amigo... tal dificuldade não me é estranha. No entanto, aprenda uma coisa: Um dia, o que é novo se tornará velho, e o que for velho chegará ao fim. E aqueles que se contentam somente com o velho, sem preparar algo novo, no futuro, não terão nenhum dos dois...

O menino sorriu. Saltou de um impulso a cerca e saiu correndo em direção à casa.

- Ei menino! Aonde é que tu vais?, perguntou a vaca estupefata.

- Desculpa, tenho que ir! Preciso jogar fora meu velho par de sapatos furados!

- Está bem! Mas cuidado, vá pela direeei... cuidaaado!

Infelizmente não houve tempo. O menino cravou seus pés no morrinho de estrume. Diante da cena, a vaca lamentou:

- Coitadinho, eu bem que tentei avisá-lo...

Inspirado em Eclesiastes 10:2. “O coração do sábio se inclina para o lado direito, mas o do estulto, para o da esquerda”.

*Na cultura judaica, há um conceito espiritual: as coisas santas estão relacionadas ao lado direito, enquanto que, o lado esquerdo, as opostas à santidade.

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Todo mundo quer ser vaca

Aconteceu lá pelas bandas da Normandia, nos tempos do meu exílio...

- [...] Tu não gostarias de ter nascido vaca como eu?

- Eu acho que não... ser vaca deve ser bem monótono. Tu ficas aí, o dia inteiro, olhando para o horizonte. Ora come um pouco de grama, ora caminha até a cerca e depois volta. Não há grande vantagem em ser vaca.

- Tu tens razão, minha vida é bastante monótona, mas não posso reclamar. Na verdade, eu até que tenho sorte. Eu dou leite. Existem algumas amigas que não têm a mesma sorte.

- Eu não sabia que as vacas tinham sorte..., retrucou o menino.

- Têm sim, meu caro. Algumas de minha classe, quando atingem certo peso, são mortas para que os de sua classe comam carne. E então? Ainda acha que não tenho sorte?

- É mesmo, tu tens muita sorte de que nós precisamos de leite.

- Eu sei... de leite e de queijos também. É por isto que não posso reclamar. É a vida...

- Mas o que vai acontecer contigo no dia em que teu leite secar?

- Olha, não quero nem pensar nisto. Por favor, não me assuste!

- Desculpe, não queria te assustar.

- Tudo bem, eu sei que não tinhas esta intenção. Ai, ai... eu gostaria mesmo é de ser uma vaca indiana.

- Por quê? Não te sentes feliz em ser uma vaca leiteira destas bandas?

- Bem, vaca indiana é muito melhor. Uma vaca na Índia tem status de rainha. Ninguém pode tocá-las, pois são sagradas.

- Sagradas? Como assim?

- Na Índia, as vacas são respeitadas. Toda vaca gostaria de ter nascido indiana, porque, embora sejamos todas vacas, somente na Índia alcançamos o respeito que merecemos.

- Entendo...

- Não, tu não entendes. Somente uma vaca entenderia.

- Por que te consideras tão sábia?

- Amigo, tu és ainda muito menino. Quando tu fores grande, entenderás o que digo. Todo o homem gostaria de ser uma vaca indiana.

- Ah não, eu não quero ser nenhuma vaca! Estou muito satisfeito como menino, mesmo que não conheça muita coisa.

- Tu que pensas meu caro. Quando eu acordo pela manhã, e vêm tirar meu leite, ouço muitas histórias.

- Que histórias?

- Bem, vou te contar algumas. Sabe, um dos que me ordenham, disse que se tivesse condições, teria suas próprias vacas. Daí, ele mesmo decidiria sobre sua vida, sem precisar trabalhar para os outros.

- Puxa, o que isto tem de mau?

- Tu não entendes mesmo... és muito menino. Vou te contar outra. Conhece o homem que mora na casa com jardim, perto da ordenha?

- Sim, meu pai chama ele de veterinário.

- Pois então... ouvi ele dizer que na capital, não era ninguém; mas aqui no campo, todo muito precisa dele. E mais: à professora da escolinha perto da porteira, ninguém pergunta nada lá na igreja; ao padre, ninguém o cumprimenta lá na cidade.

- Explica-me, por favor!

- Está bem menino. Ouça... a Índia é o reino das vacas. Lá elas são soberanas. Todo mundo quer ser soberano.

- Por que todo mundo quer ser soberano?

- Ora, porque no teu reino os outros te admiram.

- Admiram?

- Sim, eles admiram... Ocorre quando as pessoas olham para ti, e te veem com pelo menos o dobro do tamanho que tu tens, e todos querem ser grandes. Tu não queres ser grande?

- Quero sim! Meu pai sempre me diz que um dia eu vou ficar grande e poderei fazer coisas que eu quero, mas ainda não me deixam porque sou pequeno.

- Entendo, todos os homens são iguais...

- Então, se me admiram, deixarão que eu faça o que eu quiser?

- Sim, sim. Mas para isto, tu precisas do teu reino. Só dentro do teu reino tu aumentas teu tamanho.

- Eu acho que entendi. Eu queria ter nascido uma criança indiana.

- Céus! Ser vaca destas bandas não é fácil mesmo...

Escrito em 25/08/2010.

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Uma conquista de criança

Eu gosto muito da foto aqui ao lado. Toda vez que a contemplo, vejo ternura e alegria. Na verdade, eu tenho até um pouco de vontade de chorar.

Quando uma criança descobre o mundo, tudo lhe parece curioso. Quando uma criança descobre o mundo, aquilo que lhe é desconhecido lhe provoca receio. Uma conquista de criança é uma coisa bem bonita. Ainda me lembro da primeira vez que ousei afastar-me da minha casa. Eu tinha uma bicicletinha usada, que meu pai me dera e, decidi que pedalaria até o final da rua. Isto significava uma quadra.

Enquanto eu pedalava, enchia-me de emoção. O final da rua no horizonte, o tempo passando, o coração batendo... Como poderia sair tão longe de casa? Voltei rapidamente, pois me parecia algo de que os adultos não poderiam saber. Aquela foi uma grande e feliz conquista. Descobri a sensação de percorrer sozinho 50 metros além da minha casa. Se eu soubesse que um dia sentiria saudades disto, teria aproveitado um pouco mais.

Lembro-me desta como uma das primeiras grandes emoções e contentamento de minha vida. Um prazer indescritível.
Escrito em 18/08/2010.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Falando um pouco de amor

Tu já leste o capítulo 13, da primeira carta de Paulo aos coríntios? Ainda que, ainda que, ainda que... Esta é a advertência. Não importa em qual extremo cheguemos, se não houver o amor, será como nada.

Vejo o escritor a meditar em sua própria obra e nas praticadas por outros. Vejo-o à procura de gestos extremos da nobreza, da pureza, da humildade, para depois, desqualificá-los completamente.

Bem, confesso que não consegui expressar nas linhas anteriores o que vejo quanto a isto. Parece-me muito abstrato, como se o texto não possuísse um ponto firme. É como se dele pouco pudesse reter.

Um dia, um dos meus amigos com quem eu dividia o apartamento foi hospitalizado, pois passava mal. Resultado do exame: anemia. Macarrão era sua principal refeição. Aparentemente, saciava seu corpo e não sentia fome. Mas, o macarrão, não possui em sua composição todos os invisíveis nutrientes de que um corpo precisa para ser saudável.

Muitos olham as obras da benignidade e se admiram com sua aparência, contudo, seu verdadeiro valor, está em quanto do amor elas possuem.

Uma das grandes lições que aprendo com esta advertência, é de que, tudo quanto fizer, deve incluir o amor. E aprendo mais: sem amor, não há diferença entre realizar ou cruzar os braços. Quem sabe, cruzar os braços em amor seja melhor... Se é que quem verdadeiramente ama conseguiria.

A juventude é a época em que mais se fala do amor. Entre os jovens, muito se ouve acerca de como escolher um companheiro. Inúmeras formas e dicas se discutem. Uma das que ouço atualmente é a respeito do propósito. Como propósito, entenda-se a obra que Deus deseja que façamos na terra. E para esta obra, Deus nos fez como fez, com nossa personalidade, temperamento, talentos e habilidades. E os jovens são incentivados a escolherem seus namorados e namoradas, noivos e noivas, baseados neste valor.

"Queres ser um missionário? Escolha uma missionária", "És uma pessoa assim? Não escolha um assado". É correto escolher alguém pelas similaridades, embora não se ame? Quão cruel é não poder olhar nos olhos, afirmar eu te amo, porque não se ama!

“Mas o amor é uma decisão!”, defende-se. Sim, o amor é uma decisão, que envolve sentimentos. Se não fosse assim, uma separação não seria tão dolorosa, alías, bastaria que se decidisse por ela. O dia seguinte? Bem, como nada houvesse acontecido...

Cristo entregou-se porque amou. Se fosse para cumprir, o que dele se diz nas Escrituras, não pediria: “Se possível, afasta de mim este cálice”. E muitos, querem enfrentar o cálice sem amar.

Por mais nobre que seja o propósito, não é ele o sofredor e benigno. Não é o propósito que não é invejoso, que não trata com leviandade ou que não se ensoberbece. Não é o propósito que não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita e não suspeita mal. Não é o propósito que não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Não é o propósito que tudo sofre, tudo crê, tudo supera, tudo suporta. Não é o propósito que nunca falha.

Só há um valor pelo qual duas pessoas devam se unir, e este valor, chama-se amor. Sem ele, não importa o sacrifício, não importa quão nobre pareça. Com amor se vence todo desafio. O amor é inconfundível, e sabemos, quando verdadeiramente amamos ou quando forçamos o amor. Nossos propósitos, um dia, desaparecerão; o amor, permanecerá.

Deus conhece o tempo e o modo, quando e como, revelará e cumprirá seus propósitos.

Moisés já estava na casa de seus 80 anos quando Deus lhe revelou o que faria. Antes, passou 40 anos no deserto, pastoreando algumas ovelhas e levando sua vida pacata. Mais tarde, o Senhor o transformaria no maior legislador que já existiu no planeta.

O critério para se construir um relacionamento entre um homem e uma mulher é o amor. O propósito não é suficientemente seguro como critério de escolha. Não se deve fixar os olhos exclusivamente nele, mas crer que, independentemente de qual seja, Deus é suficientemente grande para fazer milagres.

Deus faria de Abraão pai de nações, no entanto, foi uma mulher estéril que tomou como companheira. Do ponto de vista do propósito, pareceria incoerente e inviável. Do ponto de vista do amor, Sara acompanharia seu marido fielmente para todo e qualquer lugar, e, sofreria tudo o que ele sofresse.

Quando nos esquecemos do amor e, promovemos o propósito de Deus através de nossas próprias escolhas, expomo-nos a riscos. Abraão tentou em seu próprio entendimento promovê-lo e frustrou-se. Sem amar, tomou para si uma escrava.

Antes que eu seja mal interpretrado, gostaria de esclarecer algo. Não defendo que nos envolvamos com pessoas simplesmente pelo sentimento, sem que avaliemos outras características. O caráter é essencial, a aparência e o charme são filtros naturais da atratividade. Os sonhos pessoais falam muito acerca de como uma pessoa é.

Ouvi dizer que, para que um relacionamento dê certo, é necessário que um casal tenha sonhos em comum. Será? Bem, acho essencial que haja concordância num relacionamento, no entanto, isto será sempre assim? Claro que não. Quando conhecemos alguém, conhecemos apenas a ponta do iceberg. No decorrer da vida, milhares de outras decisões e situações novas e inimagináveis surgirão. E, não temos como saber o que alguém pensa acerca de problemas que ainda não existem.

Não podemos simplesmente escolher alguém pelo que ela pensa agora, pelos sonhos que ela possui no presente. Os valores e a importância das coisas na vida das pessoas mudam.

Uma união é como fecho éclair. Escolher pelos sonhos e pensamentos, é como engatar os primeiros ganchos, tendo os demais durante a vida como uma constante incógnita. Escolher pelo amor, é coincidir desde o início todos os ganchos, mesmo que ainda não tenhamos chegados a cada um deles.

Agora, se me envolvo com alguém que considero às avessas: "Seus sonhos são diferentes, mas eu a(o) amo..." Até aqui tudo certo. Contudo, a pergunta que faço é: "Esqueceria seus próprios sonhos para viver os dela(e)?" Se tu não fores capaz, então não amas de verdade. Um amor verdadeiro farias com que tivesses a compaixão e o bom caráter de não te envolveres com alguém que farias sofrer com esta antecipada decisão de não abrir mão de ti mesmo em prol do outro.

Não se ama também quando desejamos mudar alguém. Não podemos esperar que alguém mude? Podemos, mas não contemos com isto. Quando cobramos uma mudança, é porque nos apaixonamos por alguém que não é a pessoa que vemos, mas sim, alguém que ainda não existe, mas somente em nosso mundo de desejos e imaginação. Se não nos dispostos a aceitá-la como é, não amamos de verdade, aquela, ali, de carne e osso, com seus defeitos e fraquezas. Assim, muitos relacionamentos fracassam.

Abraão sonhava com um filho, mas abriu mão dele porque amou. Abriu mão quando amou Sara, suportando-a, uma estéril, sem procurar por outra mulher. Esqueceu-se de si por amá-la. Quanto a escrava, foi sua própria mulher quem a entregou. E Sara, entregou-a porque queria vê-lo feliz com seu sonho cumprido. Esqueceu-se de que era sua verdadeira mulher. Não lhe importava que o filho fosse de outra. Mais tarde, Abraão quase imolou a Isaque por amor ao seu SENHOR.

Então, vemos que apesar das dificuldades do dia-a-dia, dos sonhos pessoais, todos abriram mão de si pelo outro, por causa do amor. É como uma conversa de adolescentes ao telefone: "vai desliga... Ah não, desliga primeiro..." É assim que o amor é. Todos abrem mão de si, dando a vez ao outro.

O que Deus prometeu cumprirá. Não são as similaridades, ou sonhos em comum que manterão um casal unidos. Somente o amor é capaz de suportar as dificuldades que ambos enfrentarão durante suas vidas.

Creio que dá para escrever mais. Quando vier a inspiração, deixarei impressa aqui. Escrito em 12/08/2010.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Deus é fiel? Haha!

"Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si..." Isaías 53:4

[...] Milhares de pontos de luz surgiam no chão e formavam anéis luminosos. À medida que suas luzes se intensificavam, os anéis levitavam. Da poeira que agitavam, gradativamente subiam, e os corpos dos mortos eram recompostos dos pés à cabeça, transformando-se o pó em carne. Eram milhares deles, e, um violento vento soprou devolvendo-lhes a vida.

Havia dos que morreram vítimas das doenças e pragas da terra. Seus corpos, agora, encontravam-se íntegros e saudáveis, mesmo, aqueles que sofreram mutilações nas guerras, dilacerados pelas feras ou esmagados em catástrofes.

As águas também se agitavam. A espuma das ondas levavam à praia a lama dos oceanos, onde, esculpiam-se os corpos dos que um dia foram tragados pelo mar. Os anéis luminosos subiam aos céus, após completada a obra, bem como todos os ressurretos. No meio da multidão, uma voz se ouviu:

"Verdadeiramente, esta Palavra é fiel!", bradou. A promessa se concretizava. Tudo ocorreu como num abrir e piscar de olhos. O Espírito disse: "Estes são aqueles que venceram. De suas feridas foram sarados; de suas tristezas foram consolados..."

Enquanto isto, sobre a Terra, homens murmuravam, pois, parecia-lhes absurda a tal fidelidade de Deus. Outros, entendiam que, a quantidade do bem ou mal que se sofria sobre a terra não era medida de quão fiel Ele é, contudo, sim, o cumprimento de seu propósito.

Estes foram aqueles cujas perdas e derrotas lhes levaram a negarem a fé. Perceberam, tivessem olhado para Cristo, compreenderiam que a fidelidade de Deus nunca é sepultada com a carne... Escrito em 09/08/2010, inspirado numa antiga visão do arrebatamento.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

A melhor explicação

As crianças da classe de 8 e 9 anos participavam de mais uma aula. Num determinado momento, trazia à memória delas o significado da palavra Páscoa: “Então crianças, aqueles cujas casas estavam as marcas do sangue do cordeiro, a morte passava por...”. E elas, como eu esperava, responderam: “Cima!”.

Um dos meninos, em sua graça peculiar, perguntou: “Por que não passava por baixo?” Ao que outro, imediatamente, como quem explicava o que lhe parecia óbvio, respondeu:

“Ora, porque quem passa por baixo é o diabo!”. Aulinha da EBI, em 01/08/2010.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por favor, cosquilha-me!

Certa ocasião, aprendi algo que mudou completamente a maneira como vejo as pessoas. Foi como se, de repente, tudo fizesse sentido, como se descobrisse um grande tesouro e compreendesse um grande mistério.

Preciso pintar um quadro com as palavras. Não me parece tão trivial. Ele está lá dentro de mim, mas é difícil expô-lo. E a imagem que pretendo pintar é a de uma frustrada multidão.

Qual é a ideia que tenho da felicidade? Felicidade para mim se parece muito com uma vida tranquila. Como gozá-la? Como obtê-la? Como vivê-la?

Sai procurando a felicidade. Não sei exatamente como, mas, eu já sabia de que dela não se encontra jazidas por ai. Como encontrá-la é uma ótima questão. Assim, valendo-me da razão, pensei que a melhor forma de encontrá-la seria observar ou pedir ajuda a quem já a houvesse encontrado. Certamente, pouparia-me muito tempo e trabalho.

Olhei ao meu redor e vi a felicidade impregnada naqueles que a encontraram. Como eu suspeitava, tratava-se de uma manifestação. Ela se manifestava em uma boa casa. Manifestava-se em uma boa poupança. Manifestava-se em um bom emprego. Manifestava-se em boa saúde. Manifestava-se em reconhecimento. Descobri onde encontrá-la, finalmente. Agora, precisava possuí-la.

Novamente, pela razão, possuir a felicidade era-me sinônimo de adquirir os corpos nas quais seu espírito incorpora. Se a felicidade se manifesta em uma boa casa, é deste corpo que eu preciso. Se ela se manifesta em reconhecimento, é dele que necessito. Se em uma boa poupança, é dinheiro que preciso ganhar. E assim, explica-se o motivo pela qual fazemos o que fazemos na vida.

Nesta caminhada, em busca da felicidade, inevitavelmente, deparei-me com muitas dificuldades, ou melhor, com muitas infelicidades. Também me deparei com muitos infelizes, mesmo que me não transparecessem. O julgamento era meu.

Infelizes são todos aqueles que não apenas não encontraram a felicidade, mas também aqueles que não a procuram. Infelizes são aqueles que não desejam a casa que eu quero ou o reconhecimento que eu busco. Infelizes são aqueles que, pelas circunstâncias, provavelmente nunca alcançarão aquilo que eu desejo. Quando penso nos miseráveis, penso nos infelizes.

Trata-se de uma frustrada multidão. Eis a pintura. No entanto, mas que parecer frustrada, é uma multidão que julgo frustrada. E há daqueles que deveras o são. Bem, neste momento da caminhada, já compreendo que a felicidade tem tantos significados quanto pessoas no mundo.

Quando olho para este quadro vejo rostos tristes e infelizes. São milhares de milhões. Nunca alcançarão sua felicidade. São pessoas a quem não se dá valor algum. Pessoas das quais nunca mais se falarão após a sua morte. Pessoas que nunca deixarão nenhum bem material para seus filhos. Pessoas cujas contribuições para o mundo são absolutamente inexpressivas. Parece não terem nenhuma importância, sendo sem valor sua existência. Por que nasceram?

Um dia, eu saia do meu trabalho. Algumas pessoas cruzavam. Uma delas chamou-me atenção. Esbravecia muito, sua face era dura.

Naquele instante, uma voz suave ditou ao meu coração: Ela nasceu para ser amada.

Por que nascemos, por que vivemos? Não me resta dúvida alguma. Toda vez que olho alguém, seja quem for, seja boa, seja má, eu vejo um profundo e grandioso amor dedicado a ela. Isto faz meu coração enternecer. Cessam-se todos os meus julgamentos.

Não sei exatamente o porquê de acontecer comigo. Meus olhos não são mais os mesmos. Todas as pessoas tornaram-se especiais e importantes. Não importa quem, não importa onde. Não importa seu nascimento, ou onde foram criadas. Não importa se têm dinheiro ou não. Não importa se são educadas ou ignorantes, se brancas ou negras. Adultos ou crianças. Não importa nada. A vida só faz sentido se nasceram para serem amadas.

Eu me perguntava: De toda esta multidão, por que tantas passam por aqui, desapercebidamente? Milhares nascem e sofrem. Milhares nascem e morrem. Deus escolheu tê-los. Qual o sentido do nascer? Não seria melhor que Deus tivesse misericórdia das pessoas para que elas não precisassem nascer mais? Afinal, aflições e frustrações são o que a todos aguarda.

Mas, se nascemos, e Deus assim permite, certamente há um motivo muito forte, que faz toda diferença. Dentre todos os piores motivos que possam existir para que Deus exercesse misericórdia impedindo um nascimento, existe um bom motivo capaz de sobrepujá-los a todos. E por causa deste motivo, Deus é capaz de permitir que um bebê venha à vida.

Se eu fosse Deus bem que seria capaz de impedir novos nascimentos. Contudo, no dia em que eu conhecesse o propósito da vida, não haveria coisa ruim que me impedisse de permitir tantos nascimentos quanto fossem necessários.

Só existe um motivo pelo qual Deus permite que um novo bebê venha à vida. E este motivo é: Ele merece ser amado. Seria cruel poupá-lo deste amor, mesmo que fosse por um único segundo.

E quando Deus olha e vê o tamanho e o valor do amor que espera por cada novo ser, Ele não se contém. É melhor que nasçam tantos quantos seja possível. É o desejo de Deus amá-los. É o desejo de Deus que ele ame e seja amado.

Alguém já te fez cócegas? Daquelas ininterruptas e das quais não se consegue correr? De repente, cais no chão sem aguentar nem mais um toque. Continuas rindo até que não tenhas mais força alguma para lutar contra seu cosquilhador. Entrega-te. E o cosquilhador continua, mas tu não lutas mais. Estás farto e cansado, transbordas de riso...

Cada pessoa nasceu para que seja amada desta forma. O amor tão grande, tão intenso, que se torne um prazer insuportável. No seu último dia de vida, caias sobre a terra com tanta alegria, farto de tanto amar e ser amado, que não encontres que algo te falta. Estarás saciado, foi bom passar por aqui... E isto te alegrará.

Nossa missão, nosso propósito é este. No final, nenhum outro faz sentido. Se nascemos para acumular bens, viajarmos o mundo, alcançarmos a fama, seja lá o que for, lamento. Nunca encontraremos a felicidade, pois, só pode habitar dentro de nós... e em mais nada.

Agora, se amamos e somos amados, não importa idade, não importa onde estamos ou onde estaremos, não importa o que temos ou não temos. Nada importa. Não importa se moramos em desertos, montes, ilhas ou vales. Não é isto que define a importância de um nascimento. A importância de um nascimento é: Nasceu para fartar e ser farto das cócegas do amor. Oh, por favor, cosquilha-me! Trecho do meu livro.

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sábado, 1 de maio de 2010

"Une baguette s'il vous plaît!"

Amados, a Palavra de Deus nos instrui de que as crianças devem ser ensinadas no caminho em que elas devem caminhar. Esta é uma atribuição nossa.

No final da semana passada, eu estava no retiro de adolescentes. Em nosso momento de lazer, uma criança, de apenas cinco anos, ao passar por ela, chamou-me a atenção dizendo: “Eu conheço você... você é aquele que contou a história do diabo e do pão”. Bem, numa certa ocasião, perguntei a elas: Com que compararei a Palavra de Deus? E mostrei: Com um pão baguete! A Palavra de Deus é alimento, mas também é uma espada contra nosso inimigo, comprida como baguete. E aquela criança nunca mais esqueceu disto...

Tenho aprendido que crianças, mas que uma tentativa de ensiná-las, devemos encantá-las. Encantá-las com o caminho em que devem andar, para que nunca dele se desviem e sejam livres. Ministração sobre crianças, 18/04/2010.

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terça-feira, 30 de março de 2010

Testosterona, sabedoria e os 4 elementos

Há três coisas que me maravilham, e a quarta não a conheço: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma virgem” Pv. 30:19.

Salomão dedicou parte de sua vida ao estudo, ao conhecimento e prática da sabedoria. Observava atentamente o mundo e tentava explicar a ação do homem. Numa de suas observações, demonstrou-se maravilhado com três coisas: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha e o caminho do navio no meio do mar. Para completar, revela: uma quarta ,ainda não conheço - o caminho do homem com uma virgem.

Em certa ocasião, ouvi quem citasse este texto, abordando o valor que para o sábio representava a pureza de uma mulher. No entanto, creio que não foi sobre isto que Salomão chamava atenção.

Coloquemo-nos na posição de Salomão, ao observar uma águia. Há alguns anos atrás, assisti um vídeo sobre a vida e os hábitos do condor dos Andes. O animal e seu voo são realmente impressionantes. Não fora à toa que Salomão maravilhara-se estupefato.

Uma das prontas perguntas que fazemos ao nos depararmos com tal espetáculo é: “Como ela pode?”, ou seja, que maravilhoso seria alçar voo como a águia... Creio que o que mais impressionou Salomão foi o domínio e o controle que aquele animal tão naturalmente e graciosamente exercia sobre a gravidade.

Paralelamente, Salomão cita o caminho da cobra na penha. Quem não se impressionaria ao ver uma cobra escalando uma montanha? E a pergunta que me faço: “Como pode?”, como ela consegue subir e não despencar? E o que falar do caminho do navio no mar? Que maravilhoso olhar um transatlântico no meio do oceano... Até mesmo o tolo se impressionaria com um gigante de aço que não afunda.

Estas observações inspiraram Salomão. Entendo que se há algo em comum entre estas três, trata-se de domínio, controle e governo exercido. Por último, o sábio afirma: “a quarta não conheço... o caminho do homem com uma virgem”.

Salomão declara que, de tudo do que se podia maravilhar, nunca havia visto o caminho de um homem com uma virgem. Se a águia domina os céus, a cobra domina a terra, o navio domina as águas, nunca se viu um homem que dominasse o fogo.

A mulher, a virgem, é como um fogo. Que homem conseguiria resisti-la, acompanhando-a no caminho e ainda manter o domínio e o controle? Certamente, não existe sabedoria que resista a altas doses de testosterona na corrente sanguínea.

Finalizando, reflitamos o pensamento do sábio rei:

“Tomará alguém fogo no seio, sem que as suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre as brasas, sem que se queimem os seus pés?” Pv. 6:27-28. Escrito por Cléber em 30/03/2010.

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sexta-feira, 5 de março de 2010

Uma raposinha solitária

Antoine de Saint-Exupéry, em seu livro mais famoso, O Pequeno Príncipe, escreveu acerca dos laços de carinho formados entre as pessoas.
Na história, o menininho de cabelos de ouro, trava um diálogo com uma raposinha, que lhe ensina o valor da amizade. Eis abaixo alguns trechos selecionados.

Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

Nesta semana, aconteceu-me algo que abalou-me profundamente. Um buraco, um vazio na alma é como descrevo. O vazio de uma perda, como a perda da morte.

Na verdade, sinto que conhecê-la, foi-me mais gratificante que para ela conhecer-me. No entanto, sei que amou-me com toda força que podia. Ela tornou-se importante para mim. Eu depositei nela a confiança que poucas vezes na vida depositei em alguém. Então, quando ela se foi, doeu muito, pois fora como se um pedaço de mim fosse arrancado...

Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

Com ela, abri muitas vezes meu coração. Contei daquilo que me afligia, daquilo que eu sonhava, daquilo que me alegrava, daquilo que me entristecia. E eu também a vi chorar... Ela conheceu meu verdadeiro caráter. Na presença dela, muitas das minhas máscaras eu não utilizei... Ela conheceu como realmente sou.

O teu (passo) me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

Antes de deixar-me, eu já sentia saudades dela. Aliás, eu sentia saudades todas as tardes que me despedia dela. Tudo bem, tudo bem... eu já sentia saudades algumas horas antes da hora de me despedir. E é esta amizade que torna um local de trabalho tão agradável.

Às vezes, deixava-me um pouco confuso, pois, parecia-me um pouco arisca e misteriosa, enquanto outras vezes, extremamente dócil e transparente. Eu aprendi a amá-la da maneira como ela é, e isto enriquece profundamente meu coração.

A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

Amigos são tesouros preciosos, raros, que não se encontram facilmente por ai. Com um pouco de tristeza eu confesso: creio que não alcancei esta marca em seu coração, e talvez, seja minha maior decepção. Não sei ser tão bom amigo, como ela soube ser.

É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

Quando eu soube que trabalharia com ela, imaginei tudo diferente. Imaginei que brigaríamos, imaginei que não a amaria. Mas todos os dias, quando ela chegava, eu a observava do lado onde estava. Aprendi dela pouco a pouco, até que, um dia, ousei aproximar-me e surpreendi-me quando a vi permanecer em seu lugar.

Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...

Lembro-me que sentava-me próximo a ela, perguntava como ela estava. Dividíamos muitas coisas. Ela me fazia feliz. Eu amava muitíssimo sua companhia, aguardando com expectativa, uma pessoa leal.

Bem, no final, o principezinho cativou a raposinha e correu ver as rosas que não a sua.

Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

É como sinto. A única no mundo. Por isso, o sentimento de perda é ainda maior...

Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

Mariana foi minha irmã e companheira. A ela eu digo: Obrigado por tornar nosso trabalho tão leve e agradável. Tu serás inesquecível para mim. Tu enriqueceste minha vida com sua amizade. Tu és única em todo o mundo. Espero que tu não te esqueças de mim, pois “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Deixaste-me órfão, mas alegro-me, porque agora, estás livre para voar. Escrito por Cléber em 05/03/2010.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ele se importa

Em certa ocasião, via algumas figuras dos planetas em escala. Inicialmente, parecia-me apenas curioso, depois, entendi que era muito mais que isto.

Aos poucos, a Terra desaparecia. A cada astro com que ela era comparada, tornava-se cada vez menor. A Terra ainda seria muito grande se comparada a um grão de areia na praia. Estrelas sobrepujavam o tamanho de nosso planeta que, não passava de um ponto quase imperceptível, até desaparecer por completo.

Uma janela abriu-se em meu entendimento: qual seria então o tamanho de Deus? E meus pensamentos, tentavam imaginá-lo até tornar-se um exercício mental insuportável.

Não somos mais que uma partícula de pó no universo. E, se porventura, pudesse conceber a dimensão do infinito, ela seria apenas uma nova partícula. É como se pudesse colocar o universo numa caixinha, e, em seguida, esta mesma caixinha fosse colocada dentro do universo, e assim, infinitamente.

A reflexão não parou ai. Após percorrer tantos anos-luz, retornei ao ponto inicial. Descobri que ainda não tinha chegado ao ponto insignificante. Ao olhar meu próprio corpo, não seria ele composto igualmente de células microscópicas? Em se tratando dos átomos, não seria eu mesmo comparado ao universo para eles?

Quando eu era criança, olhava os livros de geografia e fascinava-me o tamanho de Júpiter. Com certa inveja, eu me perguntava: por que não era a Terra também tão grande assim? Bem, hoje penso diferente. Entendi que não importa o tamanho que tivéssemos, ainda seríamos um ponto. Portanto, nossa importância não está em nosso tamanho, mas sim, no que significamos.

Mesmo sendo tão pequenos, Deus se importou conosco. Por isso deu o Filho. E eis que no universo havia um único átomo, que sofria uma interferência. E mesmo assim Ele se importou. Ele poderia ter passado de largo, mas sabia, enquanto uma simples poeirinha sofresse, o universo não estaria de seu agrado. Ainda há dúvidas de que Ele se importa com cada detalhe da vida?

Toda vez que se canta um louvor a Ele, ali, naquele canto da criação, estão os seus ouvidos, pois Ele se importa. Trecho do meu livro.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Evangelho de João.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Corrida Maluca

De minuto em minuto, passa-se toda a vida. O mundo impõe a pressa do seu ritmo ao nosso viver. No entanto, nem mesmo o tempo se corrompe: nunca, um único segundo, atendeu alguma demanda em caminhar mais depressa.

De repente, nascemos e desembarcamos num lugar em que, primeiramente, herdamos. Um lugar estranho, construído pelos que nos antecederam. E logo, dita-nos as regras de como pensar, agir, ter e obter. Convence-nos e reprime-nos a uma louca corrida atrás de não se sabe bem o que, ou, aonde se deve chegar. Sob pena de sermos engolidos, conformamo-nos em aceitar seu ritmo. E hoje, já não vale muito um único idioma estrangeiro, ou uma única especialização, ou trabalhar também aos sábados. É sempre preciso mais. O mundo dita todos os dias quanto mais. O exigido hoje, é menos do que será amanhã.

Leia-se homem ao mundo. Os homens criam o padrão, após distanciarem-se o bastante. São inatingíveis, e isto, garante-lhes o status. E precisam continuar inovando, ditando o que se alcançar e sonhar. E como quem já obteve o que ostenta, divertem-se com a nossa admiração, e, quem sabe, nossa fadiga. O mundo que pronto está a me esmagar, é o mesmo que me afaga o ego. Hipócrita.

Nesta corrida, acostumamo-nos a passar por cima dos outros, mas não somente deles. Pisamos a ética, a honra e atropelamos o caráter. Afinal, são detalhes, são barreiras que, somente atrapalham... Esquecemo-nos que na vida, de tudo que se alcança, há do que se consegue exclusivamente com a ajuda de outros. Jesus ensinou: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á”. Como interpreto? Bem, ora recebo diretamente de Deus; ora me esforço; ora encontrarei em outros. E por que neles? Porque se eu mesmo pudesse abrir, não teria batido. E bater, é diferente de pisar... Neste sistema, daquilo que se nos abre, não teria sido dado diretamente dos céus a quem nos abriu? Bem, disto concluo: se chegou até nós, não seria então tudo vindo de Deus? Trecho do meu livro.

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sábado, 12 de dezembro de 2009

Sou homem como tu

De repente, encontrava-me numa antessala. Havia uma mesa sobre uma plataforma no centro. As paredes ao redor, revestidas de muitos detalhes, encantavam pela beleza, e, as colunas, uniam-se no alto umas as outras através de arcos. Deveras, tratava-se de um local magnífico e de muito esplendor, remetendo-me ao prazer estético. Minha missão naquele local me parecia pontual: eu deveria estudar o tecido de linho que, segundo dizem, fora o mesmo que cobriu o corpo de Cristo quando retirado da cruz - o Santo Sudário.

A sala ficava em nível rebaixado em relação à entrada. Caminhei em direção à plataforma e pedi para ver o Sudário. Um homem, atendendo a solicitação, desenrolou uma peça sobre a mesa. Olhei, e imediatamente percebi que aquilo não era o Sudário. Na verdade, fora-me exposta uma tela, onde se via, inúmeros quadrinhos, como num tabuleiro de xadrez. Cada quadro tinha uma figura, e suas cores eram muito vivas, onde o vermelho era a de maior abrangência e destaque. Um dos meus irmãos, o Raphael, acompanhava-me naquela visita. Enquanto eu tentava entender o que significava aquilo, uma vez que esperava ver o Sudário, afastou-se de mim meu irmão.

Rodeei a mesa, colocando-me em outra posição. Olhei para minha direita. Vi que havia uma porta numa das paredes, que era a entrada para outro cômodo. Encontrava-se semiaberta, por isso, observava o que acontecia lá dentro. A penumbra dominava o ambiente. Uma grande janela, que se estendia até o alto, permitia que raios de luz atravessassem suas frestas e dissipassem um pouco das trevas em seu interior. Em frente à janela, um homem em vestes brancas caminhava de um lado para o outro, e, atribui tal conduta, à preocupação. Naquele instante, como se uma seta de entendimento penetrasse em meu espírito, compreendi algo: aquele era o quarto do Papa; o homem em seu interior, ele próprio.

Enquanto eu observava a cena, Raphael, estendeu sua mão e tocou a parede. Quase que simultaneamente, eu o repreendi: “Cuidado, não incomode o Papa!”, disse com veemência.

Num momento em que me encontrava parado ao lado da mesa, um outro homem, de súbito, surgiu. Assemelhava-se a um frade, e seu aspecto transmitia violenta preocupação. Com uma das mãos, ele tampava sua boca e nariz, na tentativa de proteger-se do ar que respirava. Demasiadamente agitado, perguntou-me se porventura, eu ignorava o fato de que além da porta encontrava-se o quarto do Papa, retirando-se em seguida. E alcançou-me novamente a seta: de uma doença contagiosa, o Papa sofria.

Alguns instantes se passaram e o homem retornou. Trouxe consigo, estendida em seus braços, uma túnica vermelha. Entregou-a em minhas mãos, e, saiu apressadamente. Ao recebê-la, desejei vesti-la, e sai para um passeio pelo esplendoroso palácio. Eu me sentia feliz, e até certo ponto, divertia-me. Subi alguns degraus, e virei à direita, saindo daquela câmara. Caminhei pelo corredor, e no final dele, à direita, havia um posto de recepção. Nele, encontravam-se duas senhoras que, aproximando-me delas, com um ar de respeito e reverência, cumprimentaram-me dizendo: “Santidade...”

Quando as ouvi, disse: “Não se preocupem, pois lavarei antes de devolvê-la”, referindo-me à túnica que vestia. Olharam-se, e em seus lábios, discretos sorrisos, como se eu fizesse uma amável e singela brincadeira. Ao observar tal comportamento, atingiu-me a seta do entendimento pela última vez: verdadeiramente, eu era o novo Papa!

Por alguns segundos, refleti. Compreendendo minha posição, meu coração encheu-se de alegria. Eu gostava do que acontecia. Um sentimento de muito prazer preenchia minha alma. De repente, ouvi clamores, e meus olhos foram transportados para além daquelas paredes. Do alto, eu vi uma grande multidão reunida numa enorme praça defronte ao palácio, ovacionando-me e dando-me as boas-vindas

Deixei as senhoras, e, caminhando, adentrei em um grande salão, cuja parede a minha esquerda era de pedras e possuía aberturas como janelas. Jovens encostados nas paredes observavam minha passagem. Eu sorria e observava seus rostos. De início, estranhei por não vê-los ajoelhando-se, pois, imaginava, seria a atitude natural diante do Papa. No entanto, não era algo que eu desejava.

Ao chegar ao final do salão, havia três ou quatro degraus. Na iminência da descida, um homem correu ao meu encontro, reverenciou-me e ajoelho-se diante de mim, tomado de intensa emoção. Censurando-lhe a atitude, pedi que se levantasse depressa e afirmei: “Não te ajoelhes diante de mim, pois, como disse Pedro: sou homem como tu”. E o sonho acabou. Bem, no mínimo, um sonho bastante estranho para um huguenote. Trecho do meu livro, de um sonho que tive em 2004.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Esta é a nossa marca

“Amados, todos os domingos recebemos as crianças em nossas classes. Há algum tempo, perguntava-me qual seria nossa contribuição, nossa marca na vida delas. Contar histórias bíblicas? Entretê-las enquanto seus pais celebram ao SENHOR?

Todos nós desejamos ser vitoriosos e que nossos filhos também o sejam. Para aqueles que creem nisto, a Palavra de Deus afirma: “e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”.


A vitória que vence o mundo não é o cursinho pré-vestibular do Positivo, não é a graduação em medicina na PUC, não é uma alta posição numa empresa, não é falar um segundo ou terceiro idioma fluentemente. Tudo isto são coisas importantes, mas sem fé, não são garantias de vitória.

Reunimo-nos com elas todos os domingos e, nosso desafio, com a ajuda de Deus, é imprimir a fé em cada um destes corações”. Ministração sobre crianças, 20/09/2009.

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Primavera parisiense

Era um dia de uma primavera e eu caminhava pelas ruas de Paris. Se fosse um filme, meu passeio seria embalado ao som de um musette.

Naquela tarde, encontrei uma criança cujas mãos erguidas aos céus, atraiam pássaros bailarinos! Voavam ao redor de suas mãos, e apresentavam um belíssimo espetáculo aéreo!

Após passar pela torre Eiffel e pelo túmulo de Napoleão, seguia em direção às margens do rio. Durante o trajeto, uma cena que jamais esquecerei...

Tudo durou apenas alguns segundos, mas o momento parece eterno. Ela manobrava uma bicicleta que me pareceu peça de museu... Assim que surgiu na esquina, meus olhos, fixados nela, permitiam-me à alma um dos maiores prazeres que jamais senti. Não sei de onde ela vinha, nem para onde iria... E a paisagem ao meu redor se transformou. Uma sensação nostálgica e poética, a imagem daquela moça, proporcionou aos meus sentidos experimentarem. Ah, como gostaria de vê-la mais uma vez!

Enquanto ela se aproximava, meu coração se impressionava. Eu sentia que vira algo parecido, mas somente em filmes de época. Seria um déjà vu? Manifestavam-se em mim muitos sentimentos. Impressionante inocência foi um deles. Em contraste com a realidade de uma grande cidade, de repente, nada mais singelo, simples e romântico surgia. E aquela calçada, de uma rua pouco importante, sob as sombras das árvores, foi o cenário perfeito.

Sua fisionomia? Não me recordaria. Vejo como que lembranças envoltas em brumas, mas que ainda têm o poder de me inspirar. Eu caminhava no sentido oposto ao dela, mas a oposição, neste caso, presenteou-me com uma das mais lindas pinturas.

Lembro-me de sua face serena, de sua pele branquinha e dos contornos suaves do seu rosto de menina de não mais de vinte anos. Talvez, aquele seja o que poderia descrever como um típico traço francês. Ela trajava um comportado vestido escuro, de um modelo que me traz a lembrança uma linda boneca de pano. Seu pedalar suave, combinado aos meus passos, aproximavam-nos um do outro. Seus cabelos estavam presos, e seu rosto era adornado por um par de óculos. Enquanto escrevo, sinto como que minha alma clamasse por conhecê-la.

Muitos bons sentimentos afloram ao me recordar. Sua imagem materializava a da própria pureza, da própria singeleza e da própria inocência. Era como se meu coração não compreendesse, mas se rendesse ao seu encanto. Aquele foi o dia em que não imaginei o passado, mas o passado veio até mim, surpreendendo-me próximo à esquina. Sua passagem pela minha vida foi como um vento, que traz um sentimento de uma lembrança bucólica da infância. Talvez eu nunca saiba quem ela é, mas sempre saberei quem ela foi para mim... Trecho do meu livro.

Para sentirmos um pouco desta inocência, recomendo o vídeo abaixo.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Horário do ônibus

Naquele dia eu aguardava o ônibus. Não lembro para onde ia e nem o porquê deveria, mas lembro-me que devido a pressa, aguardava-o com muita expectativa.

O tempo passava, e nada do ônibus vir. O tempo em que eu aguardava era significativo, e logo, um pensamento brotou dentro de mim: “Talvez não seja dia deste ônibus circular...”, imaginei.

No entanto, contrariando minha imaginação, outro pensamento surgiu: “É claro que o ônibus virá... Eu conferi o horário dele no terminal...”, e tornei-me confiante. Apesar de todas as circunstâncias cooperarem para que eu desistisse, obrigava-me admitir que o ônibus viria.

Em seguida, um outro pensamento: “Se julgas de confiança um informativo num papel, não seria razoável que confiasses ainda mais no que está escrito na Palavra de Deus?”

Este pensamento foi libertador... Ali, eu senti como se corresse muitas distâncias para mais perto de Deus. Escrito por Cléber C. FERNANDES.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A verdade sobre ofertas

Certa vez, ouvia um pastor falar sobre ofertas. Baseava-se no texto em que o rei Davi comprou a eira de Araúna para que ali erguesse um altar. A história conta que quando o rei chegou àquela propriedade, seu dono intentou doar-lhe o terreno. Davi não aceitou o presente, mas ofereceu o pagamento devido. Ele declarou:

“Não, mas por preço justo to comprarei, porque não oferecerei ao SENHOR meu Deus holocaustos que não me custem nada. Assim Davi comprou a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata” II Samuel 24:24.

No entendimento do pastor, este texto significa que devemos ofertar a Deus de forma que sintamos ser aquela uma renúncia dolorosa, pois para ser agradável a Deus, precisa custar algo. Normalmente, assim nos sentimos, quando somos incitados a entregar mais do que temos como prova de nossa fé e amor.

Bem, entendamos como Davi realmente se sentia ao fazer aquilo. Davi era um homem riquíssimo. O livro de I Crônicas, capítulo 29, descreve como empregou seus recursos para a construção do Templo:

“Eu, pois, com todas as minhas forças já preparei para a casa de meu Deus ouro para as obras de ouro, prata para as de prata, bronze para as de bronze, ferro para as de ferro e madeira para as de madeira; pedras de ônix, pedras de engaste, pedras de várias cores, de mosaicos e toda sorte de pedras preciosas, e mármore, e tudo em abundância. E ainda, porque amo a casa de meu Deus, o ouro e a prata particulares que tenho dou para a casa de meu Deus, afora tudo quanto preparei para o santuário: três mil talentos de ouro, do ouro de Ofir, e sete mil talentos de prata purificada, para cobrir as paredes das casas; ouro para os objetos de ouro e prata para os de prata, e para toda obra de mão dos artífices. Quem, pois, está disposto, hoje, a trazer ofertas liberalmente ao SENHOR? Então, os chefes das famílias, os príncipes das tribos de Israel, os capitães de mil e os de cem e até os intendentes sobre as empresas do rei voluntariamente contribuíram e deram para o serviço da Casa de Deus cinco mil talentos de ouro, dez mil daricos, dez mil talentos de prata, dezoito mil talentos de bronze e cem mil talentos de ferro. Os que possuíam pedras preciosas as trouxeram para o tesouro da Casa do SENHOR, a cargo de Jeiel, o gersonita. O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente; porque de coração íntegro deram eles liberalmente ao SENHOR; também o rei Davi se alegrou com grande júbilo”

Eis acima a descrição da quantidade doada por Davi, diretamente de sua fortuna pessoal, como afirma:

“Três mil talentos de ouro de Ofir; e sete mil talentos de prata purificada, para cobrir as paredes das casas...”

Convertendo-se para unidades conhecidas, temos o mesmo verso da seguinte forma:

“...cento e cinco toneladas de ouro puro de Ofir e duzentos e quarenta e cinco toneladas de prata refinada, para o revestimento das paredes do templo” NVI.

Quando Davi comprou a eira por 50 ciclos de prata, e considerando que cada siclo equivalia a 12 gramas, é fácil descobrir quanto pagou pela propriedade.

A pergunta agora é: Foi um doloroso sacrifício para um homem que possuía pelo menos 245 toneladas de prata refinada, pagar 600 gramas dela pela terra de Araúna? Se não foi, então o que Davi quis dizer quando desejou que o local lhe custasse algo?

Davi desejava oferecer a Deus algo que pertencesse a si, e não algo que pertencesse a outro. Infelizmente, este texto é usado de maneira a estimular as pessoas a ofertarem mais do que poderiam. O apóstolo Paulo orienta que isto não aconteça acerca de ofertas:

“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem” II Coríntios 9:12.

Devemos oferecer nossas ofertas para Deus pelo espírito de propósito e nunca, pelo espírito da coação. Quando nos sentimos parte do projeto de Deus, ofertamos generosamente e voluntariamente, entendendo que contribuímos para o avanço daquela obra. È por isto que Davi doou sua fortuna; é por isto que os cristãos depositavam seus bens aos pés dos apóstolos.

Nada do que possamos oferecer a Deus em troca de suas bênçãos tem valor. Deus não se agrada disto, pois não são nossos atos de justiça (Isaías 64:6) ou obras que alcançam o favor do SENHOR (Efésios 2:8-9). Deus não é comprável como pensaram Ananias e Safira (Atos 5). Deus não está brincando conosco num jogo de toma lá, dá cá.

Em Atos dos Apóstolos narra-se a história de um homem convertido ao cristianismo. No passado ela fora mágico (conhecido em sua região como O Grande Poder), e ficou extasiado ao ver os sinais que eram realizados através dos apóstolos. E o texto declara:

“Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para a perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração...” Atos 8:18-22.

Com qual intenção temos ofertado a Deus?

E a viúva pobre? Interessante notar que o próprio Cristo afirma que ela deu tudo o que tinha, e não daquilo que ela não tinha (Lucas 21:1-4). Infelizmente, hoje, muitos são motivados a ofertarem além daquilo que possuem. Neste texto, é claro que Jesus está falando de proporções, e não de quantidades. A oferta da viúva foi generosa e voluntária. Por quê? Porque ninguém naquele local estimularia alguém a ofertar o que lhes parecia insignificante. No entanto, a sua oferta foi a maior. Escrito por Cléber C. FERNANDES.

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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Eu amo este capítulo

“Então, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e dá-me um beijo, meu filho. Ele se chegou e o beijou. Então, o pai aspirou o cheiro da roupa dele, e o abençoou, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o SENHOR abençoou; Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar” Gênesis 27:26-29.

“Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Sou Esaú, teu filho, o teu primogênito, respondeu. Então, estremeceu Isaque de violenta comoção e disse: Quem é, pois, aquele que apanhou a caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que viesses, eu o abençoei, e ele será abençoado” Gênesis 27: 32-33.

Um dos textos bíblicos que mais amo é o capitulo 27 do livro de Gênesis.

O capítulo descreve o momento em que Jacó recebeu a bênção de seu pai Isaque, em lugar de seu irmão Esaú.

Todavia, antes que isto ocorresse, Jacó comprou seu direito de primogênitura por um prato de comida. Esaú desprezou um tesouro espiritual em troca de um momento de prazer. Gênesis 25:29-34.

Isaque não sabia que o direito de primogenitura fora transferido para Jacó, tampouco, Esaú considerava-se desprovido dele. Quando se apresentou diante de seu pai, evocou o seu direito, dizendo: “Sou Esaú, teu filho, teu primogênito...” Gênesis 27:32. Esaú tinha o direito de primogenitura na carne, mas Jacó, o tinha pela fé.

Vale a pena meditar nas palavras de Isaque, quando abençoou seu filho. Uma análise deste texto revela que as palavras proferidas por uma autoridade portam um grande poder. Palavras são como caminhos por onde trafegam autorizações espirituais. As palavras por si só não são as bênçãos (mas são ligações para elas), pois as bênçãos proveem da parte de Deus. Estas autorizações têm o poder de exercer influência sobre o mundo material pelo poder e vontade de Deus, baseado na natureza daquilo que se pronunciou. Estas declarações servem tanto para o bem, quanto para o mal. Quando são utilizadas para o bem, diz-se tratar-se de uma bênção, do contrário, uma maldição, por onde trafegam poderes malignos.

A bênção nada mais é que bendizer, ou seja, dizer bem, falar bem. Analogamente, a maldição é a atitude de falar mal ou de falar coisas ruins. Salomão cria nisto e escreveu: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” Provérbios 18:21.

Quando Isaque proferiu palavras sobre seu filho, ele preparava o ambiente espiritual para que aquilo se cumprisse. Ele tinha autorização para isto, já que era uma autoridade familiar. Nada daquilo que ele proferiu ainda existia materialmente, mas chamaria à existência ao emitir tais declarações.

Isaque chamou seu filho Esaú para abençoá-lo. A intenção de seu coração era de que este filho recebesse sua bênção. No entanto, Jacó, fazendo-se passar por Esaú, colocou-se diante do seu pai e foi abençoado no lugar de seu irmão. A intenção do coração de Isaque nunca fora que Jacó recebesse tal bênção. Isaque via a Esaú dentro de si, apesar de ter a Jacó em seus braços.

Talvez possamos imaginar a cena: Isaque e Jacó, a sós em uma tenda. O coração do pai alegrava-se ao chegar o momento da entrega da bênção ao filho que mais amava. Ele pensara sobre o assunto durante algum tempo e era chegada a hora. Suas mãos tocavam seu filho Jacó, sua barba roçava seu corpo enquanto o cheirava e pronunciava palavras de bem... Só que, no coração de Isaque, quem estava presente era Esaú. Então, se a intenção era de que a bênção de Deus caisse sobre o filho mais velho, por que Deus abençoou de fato o filho mais novo? Já não bastava o filho enganá-lo, Deus também igualmente o faria?

A velha expressão de que "o que vale é a intenção" não é bíblica. Não são as intenções que alcançam o favor do SENHOR, mas as ações. A bênção de Deus só encontra guarida onde existe fé. Se não fosse assim, Esaú teria sido abençoado onde quer que estivesse, e aquela ocasião teria sido nada mais que um ritual sem sentido.

As mãos de Isaque representam o trabalho, as ações e obras que provêm de fé. As intenções por si mesmas não produzem nada, já que a fé sem as obras está morta. Esaú estava em seu coração, mas suas mãos, sobre Jacó. Por outro lado, Jacó recebeu aquela bênção pela fé, enquanto que Esaú confiava que a receberia pelo direito da carne.

Isaque compreendia que a bênção era irrevogável, como declara: “... e o abençoei, e ele será abençoado” (Gênesis 27:33). Mesmo que Esaú, o filho amado, tivesse clamado com lágrimas por ela, Isaque não teria mais como anulá-la.

Nossas vidas, a exemplo do texto bíblico, devem ser dirigidas a transformar as intenções em ações, já que são as ações que prosperam (Salmo 1:3). Deus aguarda que realizemos mais do que temos efetivamente realizado.

Anos mais tarde, cumpriam-se as declarações feitas por seu pai: “E o homem se tornou mais e mais rico; teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos, e jumentos”. Gênesis 30:43.

Hoje, temos todas as bênçãos de nosso Pai celestial a nossa disposição. No entanto, não fomos nós quem a compramos. Jesus Cristo pagou um preço de sangue para que pudéssemos ter acesso a elas, e a exemplo de Jacó, devemos tomá-las pela fé. Finalizando, todas as bênçãos de Deus são irrevogáveis, ou seja, não podem ser anuladas. Não existe possibilidade de que não sejamos abençoados.

“Bendito o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo...” Efésios 1:3.

“Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos” II Coríntios 4:13.

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Deus proverá o socorro

Certa ocasião, eu precisava tomar uma decisão que me gerava muito medo e julgava demasiadamente difícil. Durante o tempo em que a protelei, minha alma perturbava-se muito. Não conseguia me entregar completamente a Deus, e me sentia como alguém desprovido da fé, sem a qual, seria impossível agradá-Lo (Hebreus 11:6).

Um dia, vi algo sobre o qual vale a pena refletir. De repente, encontrei-me no alto de um monte, e era necessário que eu descesse. Completamente amedrontado, imaginava-me jogando-me do alto. Eu tinha muito medo, pois, lançar-me, significaria meu fim. Meu coração angustiava-se (porque sentia que não confiava em Deus), e este sentimento aumentava mais e mais. Como a angústia tornou-se maior que o medo, intencionei saltar, como prova de minha confiança. Eu precisava de paz, e a morte já não parecia tão ruim assim...

Então, ouvi uma voz que me dizia: Desce pela corda, não te jogues! E havia uma corda!

Ao vê-la, perguntei: Mas SENHOR, isto não seria falta de fé?

E o SENHOR respondeu: Não importa como descerás, importa que tu desças. A fé não é medida por maneiras, mas sim por obras.

Hoje, creio que entendo as Palavras de Jesus:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mateus 11:8).

E enquanto escrevo isto, ouço-o falar: É, filhinho... Nunca te pedi que fizeste as coisas da maneira mais difícil... E sinto-me aliviado.
Escrito em 06/07/2009.

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

A porta certa, sim. O tempo certo, não.

Esta manhã, acabei me atrasando um pouco para ir ao trabalho. Encontrava-me cansado quando cheguei, pois, caminhei mais depressa que o normal, na tentativa de compensar o tempo perdido. Como de costume, uso as escadas para alcançar o terceiro andar onde fica minha sala, já que normalmente o elevador é bastante disputado.

No entanto, ao atravessar o corredor, percebi que o elevador estava parado. Suas portas abertas pareciam-me como que um largo sorriso! Tomado de um sentimento misto de pressa, exaustão, surpresa e alegria, pensei ser aquela uma grande oportunidade. Imagine: Cansado como estava, providencial parecia-me o elevador inteiramente vazio aguardando-me entrar!

Mais que depressa embarquei e apertei o botão para o terceiro andar. Parecia tudo perfeito, até que atinei: Precisaria ainda que eu registrasse minha entrada no relógio ponto, e este, ficava exatamente no andar onde eu tomara o elevador. Agora, sentia invadir-me a frustração... Meu coração também havia tomado um elevador, só que agora, ele estava pra baixo, ou ainda, sentia-me como numa gangorra que me levava de volta ao chão.

Enquanto descia, pensei: Parecia uma grande oportunidade! E era mesmo. Todavia, antes que eu pudesse tê-la agarrado, importava que cumprisse outras exigências.

E como se não bastasse, pedi o andar errado, atrasei-me um pouco mais e acabei utilizando as escadas...

E a Palavra de Deus nos ensina:

"Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado" Provérbios 19:3. Escrito em 02/07/2009.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Estilo normando

... As casas também me chamavam atenção. Aquelas fachadas com toras de madeira em forma de X estão em todo lugar. Antes eu chamava isto de estilo germânico, lembrando-me das fachadas das casas alemãs que eu conhecia. Como não estava na Alemanha, achei que haveria outra denominação. Quem sabe, trata-se de um estilo normando...

Na época em eu era aluno de engenharia, estudei a mecânica e a resistência de materiais. Aprendemos que estruturas de nome treliças são as mais fortes formas de se construir um arranjo estrutural. Uma espécie de triângulo de forças. Aquelas fachadas lembraram-me as treliças. Com um único X, pode-se criar quatro triângulos.

Os homens da idade média já pareciam saber disto. Suas casas ainda estão em pé. Interessante... Em Rouen, situa-se o mais antigo restaurante de toda França. Data do século XIV, ou seja, tem setecentos anos. Ele é feito com treliças. Nossas vidas poderiam ser feitas de treliças. Como seriam treliças que nos construiriam?

Que maluquice de pensamento... ou, quem sabe, já sejamos feitos de treliças, afinal, não somos corpo, alma e espírito? Bem, se isto tem fundamento, então por que não duramos? Talvez, o problema esteja na distribuição das forças. Sobrecarregamos o corpo, esquecemo-nos do espírito e vendemos a alma. Desta forma, não há homem que resista. Trecho de meu livro, escrito em 2004, Rouen, França.

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

O vencedor ensina-nos a vencer

"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á" Mat. 7:7-8

Jesus investiu grande parte de seu ministério nos ensinando. Quando somos ensinados, alcançamos entendimento. E este entendimento é como um presente que capacita aquele que o recebe a efetuar a obra que o SENHOR lhe confia.

Quando Jesus faz a declaração registrada em Mateus, capítulo 7, versículos 7 e 8, Ele revelava um grande segredo. O desejo de Cristo é que seus filhos alcancem alvos em suas vidas, agindo em perseverança, através de um relacionamento com o Espírito Santo.

Nas instruções dados por Cristo, Ele mesmo nos incita a trilharmos até três etapas na busca por resultados: PEDIR, BUSCAR e BATER. Vejamos cada uma delas.

PEDIR

A 3º lei de Newton nos afirma que a cada ação corresponde uma reação. A Bíblia nos ensina que há uma lei espiritual semelhante. A ação de PEDIR dispara o princípio: Pedimos e recebemos. O PEDIR é a ação e o receber é a reação. “Pedi e dar-se-vos-á”, afirma o texto sagrado. E continua: “Pois todo o que pede recebe”. Aqui vale a pena destacar: Esta não é uma exceção, é a regra. Também não é para alguns cristãos, porém para todo cristão, desde que ele peça.
Neste nível de oração há o envolvimento entre EU e DEUS. Aquele que pede e aquele que dá. Somos somente nos dois, face a face, olho no olho... Ele aguarda que eu peça e eu aguardo que Ele responda.

O PEDIR é o fundamento do alcançar alvos com êxito. É o princípio básico. Eu peço e espero que o SENHOR aja. Esta é a primeira etapa.

BUSCAR

Na seqüência, Jesus nos dá a liberdade de BUSCAR por aquilo que havíamos pedido. Este nível está alicerçado no fundamento anterior. Funciona como uma escada. Não se pode construir um segundo degrau sem que ele esteja apoiado no primeiro. Nesta etapa, já não encontramos mais um cristão acomodado, pois o BUSCAR denota uma ideia de ação. Então, estão presentes EU, DEUS mais a AÇÃO.

Quando agimos, significa que temos maior fé do se assim não fizéssemos. Não simplesmente acomodamo-nos aguardando uma resposta, porém nos movemos com o objetivo de encontrar a resposta. Este é um nível mais sofisticado na busca dos alvos no Reino de Deus.

Exemplo bíblico é a história de Ana. Orou pedindo a Deus um filho. Ela alcançou o “SIM” de Deus quando PEDIU. No entanto, se ela não tivesse mantido uma relação com seu marido, nada teria acontecido. Mais tarde, ela viu, porque agiu, porque buscou. Ou ainda, Moisés, que pedia a Deus ajuda diante do Mar Vermelho, porém Este o advertiu: “Disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem”, ou seja, agora não é hora de pedir, mas de agir! Êx. 14:15.

BATER

Jesus nos afirma que a conseqüência do BATER é o abrir. Nesta etapa envolvemo-nos EU, DEUS a AÇÃO e o PRÓXIMO. Por quê?

Quando bato, obviamente espero que outro abra, pois se eu mesmo pudesse abrir, não teria batido. Este nível de oração é o que Deus deseja que alcancemos e pratiquemos, pois é nele que envolvemos pessoas. Este nível é mais nobre que o primeiro, pois não nos envolvemos somente com Deus, sem nos relacionarmos com outros.

No BATER também está implícita a especificidade do alvo. Significa que amadurecemos a ponto de encontrar exatamente aquilo que buscamos indo em direção a ele. O BATER também é a ação do coração. É ele quem BATE. Deus olha e vê que seu batimento é aquilo que expressa seu íntímo e contribui para que a porta seja aberta. Muitas vezes não recebemos o que pedimos porque Deus sabe que na verdade nosso coração não bate aquilo. Quantas vezes pedimos coisas hoje que nem mais nos lembramos no dia seguinte?

Para alcançarmos algo, precisamos que nosso próximo nos ajude. É por isto que necessitamos uns dos outros e até mesmo daqueles que não suportamos. Nas mãos daqueles que não suportamos está a chave para determinadas bênçãos que temos pedido incessantemente a Deus.

Devemos nos relacionar bem uns com os outros e sempre nos perdoar. Deus espera que tenhamos paz com o outros, pois Ele sabe que aquilo que anelamos está nas mãos do nosso irmão. Foi Deus mesmo que quis que fosse assim. É a maneira dele nos envolver um na vida do outro. Se tudo dependesse de nós mesmos, quem suportaria nossa arrogância? Só estamos onde estamos porque alguém acreditou em nós algum dia ou não.

A falta de perdão é o fracasso do homem. Significa que nunca alcançaremos muitas coisas durante toda vida. Não que Deus não nos deseje abençoar. Isto não tem nada a ver com Ele. No entanto, Deus olha para nós e diz: “Filho, não está comigo, está com teu irmão...” E nosso próximo nunca nos abrirá a porta.

APLICAÇÃO

PEDIR, BUSCAR, BATER foram citados nesta ordem não por acaso.

Conforme crescemos na vida cristã, Deus deseja que amadureçamos em nossa carreira e maneira de nos relacionarmos com Ele. Por isto, temos a liberdade dada por Cristo de trilhar três etapas.

Quando éramos crianças, nossos pais entendiam nossas atitudes de crianças e seria incoerente se nos exigisse algo fora de nossa capacidade. No entanto, é esperado de um adulto um comportamento condizente com sua estatura.

Alguns alcançam no PEDIR, outros ao BUSCAR, e ainda outros, ao BATER.

Muitos não alcançam porque só pedem, outros até buscam e acham, porém não batem. E é por isto que muitas vezes eu e você nos frustramos.

A estatura espiritual em que nos encontramos ou a que Deus deseja que alcancemos determinará em qual destes níveis devemos trilhar. É através de um relacionamento com o Espírito Santo, em que Deus gera em nós o querer e o efetuar para que alcancemos alvos no Reino de Deus.

Devemos agir, pois a fé sem obras, sem ações é morta. E sem um relacionamento com o Espírito Santo, nunca saberemos o que PEDIR, quando BUSCAR e onde BATER.

No fundo, quando trilhamos estes três níveis em direção à conquista, alcançamos um maior envolvimento e conhecimento de Deus. A oração é o pretexto de Deus para que estejamos mais perto Dele. Eis a razão porque isto é assim. Ministração para o culto de juniores e adolescentes em 07/03/2009, sob o título Jesus, o Mestre.

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Acorda, Pedro!

Momentos antes de Jesus ser levado preso, ele dava suas últimas orientações aos seus discípulos. Conhecedor das profecias a seu respeito, declarou aos que o seguiam uma passagem:

“Ferirei o Pastor e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas. Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galileia” Mat. 26:31-32.

Com isto, Cristo dizia a eles: "Quando me virem sendo preso, saiam, corram, dispersem-se. Encontrem-me mais tarde na Galileia". Pedro ainda não levava muito a sério seu Mestre Jesus. Após ouvir a orientação, opôs-se a ideia, ao invés de sair, e preparar suas malas para a viagem...

Mas Jesus replicou: "Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes" Mat. 26: 34.

E Pedro continuou a duvidar: "Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei..." Mat. 26:35.

Mas Cristo conhecia as Escrituras e também conhecia a Pedro, e assim, sabia que em breve seu discípulo estaria se metendo em confusões e apuros... Jesus não quis discutir, mas intentou ensiná-lo. Uma lição que jamais esqueceria para o resto de sua vida.

Como parte do plano para livrar Pedro, Jesus foi orar e o levou junto consigo. Ele sabia que a oração levaria Pedro a alcançar o entendimento de que necessitava. Na presença de Deus ele teria seu entendimento aberto para que compreendesse as Escrituras. Também levou consigo os dois filhos de Zebedeu.

Jesus afastou-se para a oração. Ao retornar, viu que os discípulos dormiam. Como alcançariam a revelação de Deus sem comunhão com Ele? E nesta ocasião, Cristo revela a Pedro antecipadamente o motivo do seu futuro fracasso:

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” Mat. 26:41.

Vigiar é o mesmo que observar atentamente. Observar o que? A orientação que Cristo havia dado. Pedro havia desprezado a Palavra, não dando ouvidos a ela. Mas Jesus o advertiu dizendo que deveria vigiar nela, e orar, porque a oração traria a ele a revelação, o entendimento de que necessitava. Sem o entendimento não há obediência.

Jesus foi bem claro ao dizer que esta revelação o impediria que "entrasse em tentação", ou seja, existe um lugar de perigo, de exposição ao mal. E nele Pedro não deveria penetrar, para que não falhasse.

Cristo também mostra que compreendia perfeitamente o coração de Pedro quando afirma: "...o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca". Aqui, Jesus afirma que entendia Pedro e sua disposição em segui-lo até a morte como afirmou minutos atrás. A veemente afirmação de Pedro: "Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei", retrata seu espírito pronto.

Contudo, Jesus sabia que apesar da prontidão do espírito, a carne não estaria disposta ao mesmo. E por isto, deveria seguir a orientação e correr para não entrar no local da tentação. Mas Pedro não entendeu isto. Minutos depois a Palavra se cumpria. Os soldados chegaram e os discípulos dispersaram-se:

"Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram" Mat. 26:56.

Pedro continuava a desobedecer. Ao invés de correr, tentou defender a Cristo e cortou a orelha do soldado. Nesta hora foi repreendido mais uma vez...

Depois que todos dispersaram, Pedro continuou em sua sequência de equívocos. Na verdade, ele deveria ter se dispersado com os demais. A Palavra porém afirma:

"Mas Pedro o seguia de longe, até o pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se..." Mat. 26:58.

Jesus ensinou-lhe que vigiar e orar fariam com que não entrasse em tentação, mas agora, Pedro "tendo entrado, assentou-se..." Ao entrar no pátio, Pedro estava exposto desnecessariamente ao perigo. Ali ele estava vulnerável. A partir de então, foi alvejado por uma sequência de tentações. Pedro viu os soldados batendo em Jesus. Teve medo e o fruto foi negar ao Mestre. Sua carne revelou fraqueza. E agora, onde estava aquele Pedro de espírito pronto, disposto a morrer por Cristo?

Quando o galo cantou, Pedro acordou. O galo foi o despertador, ou seja, Pedro entendeu a estupidez que cometera. Ele entendeu finalmente a orientação de Jesus e de que ali não era o lugar em que deveria estar. Depois disto, agiu:

"Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. e, saindo dali, chorou amargamente" Mat. 26:75.

Somente quando Pedro obteve o entendimento, agiu em obediência. Saiu de onde nunca deveria ter entrado. Mas, era demasiadamente tarde. Agora, sofria desnecessariamente tremenda dor.

Pedro aprendeu a duras penas a vigiar. Mas agora, trilhava o caminho certo:

“Seguiram os onze discípulos para a Galileia, para o monte que Jesus lhes ordenara.” Mat. 28: 16.

Pedro compreendeu que, a observância e o entendimento, teriam poupado seu coração de todas aquelas amarguras. O entendimento vem em nosso relacionamento com o Espírito Santo através da oração. Escrito em 05/06/2009

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